
- Força… mais força… você consegue! - diz o médico na sala de cirurgia.
Prendendo a respiração e suando frio, Cristiane Berthon, quase entregue ao cansaço, dá o último suspiro e grita de dor.
- Aaaaaahhhhh!!!!
Após o grito, cinco segundos de silêncio e ouve-se mais uma voz que tanto aguardavam: o choro.
- Você conseguiu! - disse o médico. Parabéns, é uma linda menina!
Com os olhos lacrimejando a mãe sorri com ar de dever cumprido. Jeff Bianco, o futuro papai que ao lado segurava sua mão, abaixa a cabeça e não consegue conter o choro.
- Pequena Claudia… seja bem-vinda minha filha!
Não foi fácil, mas não foi mesmo! Para Jeff e Cristiane todos esses meses de gestação foram complicados. A começar pelo casamento que não foi nada convencional. Eles namoravam muito… mas quando tinham tempo.
Cristiane é bailarina, com um futuro enorme pela frente. Linda, sensual, corpo escultural, uma das mais dedicadas da academia de dança. De família estruturada, o pai advogado e a mãe artista plástica, não era mulher para qualquer um, era mulher para o Jeff.
Jeff, um publicitário bem sucedido. Moreno, alto, corpo atlético, onde passava levava as mulheres ao delírio e as agências de publicidade também. Era o “objeto criativo de desejo” das agências. Vários prêmios havia conquistado. Jeff criava campanhas e conceitos memoráveis para clientes de qualquer segmento e também conquistava as contas dos concorrentes. Não foi difícil conquistar o coração de Cristiane.
Ambos eram lindos, apaixonados, se amavam muito mas também amavam suas profissões. Cristiane envolvida com o balé e Jeff com a publicidade.
Como disse, namoravam quando tinham tempo e num tempo desses aconteceu: faltou tempo para comprar o preservativo.
- Como assim grávida? - Jeff gritou e ao mesmo tempo sussurrou pelo telefone da agência para ninguém ouvir.
- Sim, deu positivo… precisamos conversar. O que vamos fazer?
Nada. Fizeram simplesmente nada. Ambos eram contra o aborto. Não era para o momento, não estava nada programado… então resolveram encarar: casaram-se.
Encarar esta situação ficou mais fácil para Jeff mas era evidente a depressão e frustração de Cristiane porque ela vivia para o balé.
A gestação foi conturbada, regada de brigas e intrigas. Cristiane agora tinha mais tempo disponível em casa mas Jeff se ocupava com mais trabalho, compromissos, reuniões, jantares com clientes, esticadas para boates e várias, mas várias mulheres.
Jeff, agora na sala de cirurgia, agradece a Deus por Claudia, por Cristiane, que em uma de suas crises de ciúmes teve uma complicação e quase a perdeu.
Não demora muito e a cirurgia termina. A pequena Claudia é levada para os primeiros exames e Cristiane e Jeff, já recuperados, repousam no quarto do hospital.
- Toc, toc - alguém parte na porta. Entra a enfermeira com a pequena Claudia nos braços, logo atrás Dr. Sashiro, quem fez o parto e Dra. Heloísa Peri, Pediatra Neonatologista.
- Aqui está a pequena Claudia - diz a enfermeira entregando-a para Cristiane.
- Ela é linda, tão fofinha… - Cristiane se derrete ao ver Claudia em seus braços.
- Linda, fofinha, com muita saúde, e uma criança muito especial - disse Dra. Heloísa Peri olhando fixamente nos olhos de Jeff. Especial porque a pequena Claudia tem Síndrome de Down.
Como se não bastasse a gravidez e o casamento não programados, o afastamento de Cristiane do corpo de balé - profissão que ela tanto amava - do abandono, da gravidez solitária porque Jeff nunca estava presente, das brigas, intrigas e casos extra-conjugais que ocasionaram uma crise que quase a fez perder a criança, agora a chegada de Claudia acompanhada pela Síndrome de Down.
CONTINUA…
PS: Este texto é um exercício sobre Roteiro que estou escrevendo para o curso de Cinema e Vídeo da Casa Amarela - CE. Aos poucos vou desenvolvendo e publicando aqui. Tanto a história como os personagens foram criados, é pura ficção.